Programa paroquial

Mostrando postagens com marcador Boletim paroquial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Boletim paroquial. Mostrar todas as postagens

sábado, 5 de janeiro de 2013

Uma história de reis

Diz-se que eram três reis vindos do oriente. O que é seguro é que não eram reis, mas sábios astrólogos. Porém, nesta Solenidade da Epifania, é de uma história de reis que se trata. Não são três, mas dois. Primeiro, o rei Herodes, "o Grande". A ele se deve a reconstrução do Templo. Mas distinguiu-se, sobretudo pela crueldade e pelos seus crimes, matando mesmo três dos seus filhos para preservar o poder.

E depois, há outro rei, aquele que os Magos vieram procurar. "Onde está o rei dos Judeus que acaba de nascer?" Esta simples questão basta para aterrorizar Herodes. Este título colar-se-á a Jesus até à cruz. Que imensa oposição entre estes dois reis! De um lado, a sede de um poder tirânico, o recurso à violência, à tortura, à guerra, à mentira... De outro lado, uma criança desprovida de qualquer poder, que terminará lamentavelmente na cruz. Como não reler a história da humanidade, inclusive a história das religiões, a esta luz? "Em nome de Deus" matou-se e trucidou-se tanta gente...

E as coisas não parecem estar perto do fim! Reis, príncipes, papas, imãs... utilizaram o seu poder para impor a dita "verdadeira religião". Os cristãos entraram igualmente nesse esquema. Mas cada vez que recorreram à violência, traíram, negaram, crucificaram Jesus, o rei sem poder. Jesus nunca recorreu à espada, nunca recomendou o uso das armas. É uma das maiores lições da Epifania: quando Deus Se manifesta em Jesus, proclama alto e bom som que nunca esteve nem estará do lado dos poderosos, da força, do terrorismo, da guerra. Ele não Se defenderá, pois o seu poder está noutro lado. Possamos nós, com os Magos, vir sem cessar até Jesus, que nos apresenta Maria sua mãe, e, caindo de joelhos, dizer-lhe que é Ele que queremos seguir, Ele que, só, é verdadeiramente um rei "doce e humilde de coração".

In: portal dos dehonianos

Leituras | Comentário | Avisos | Boletim

sábado, 29 de dezembro de 2012

Uma família sagrada

Os Evangelhos falam-nos pouco da vida de Jesus em família... Temos apenas alguns poucos quadros dos primeiros anos da sua vida, entre os quais este com o qual São Lucas encerra a parte que dedica à infância de Jesus. Com 12 anos vai ao tempo de Jerusalém com os seus pais, certamente integrado num grande grupo de familiares e amigos de Nazaré que se dirigiram à cidade santa. E lá fica quando esse grupo de gente volta para a sua terra. Não seria de estranhar que Maria e José O tenham "perdido": pensavam-n'O certamente com os amigos da mesma idade naquela viagem de regresso...

Mas Lucas está certamente concentrado na mensagem que quer transmitir: «Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?» A resposta de Jesus é uma conclusão e um pórtico: conclui os primeiros capítulos em que São Lucas apresenta o Filho de Deus nascido de Maria; abre para o que vai seguir-se: toda a vida pública de Jesus, e sobretudo a sua morte e ressurreição já anunciado neste relato... Mais tarde, de novo em Jerusalém, também em contexto pascal, Jesus será de novo abandonado, desta vez pelos discípulos, para ficar de novo três dias por encontrar, até que ao terceiro dia surgirá de novo, ressuscitado, Ele agora novo Templo, revelação do Pai.

Maria pode até nem entender tudo, mas guarda todos os acontecimentos no seu coração... Certamente que também José o faz. E Jesus, o Filho de Deus, encontra no seio de uma família o lugar para crescer em sabedoria, estatura e graça. Aquela família é sagrada, como o é chamada a ser cada família: lugar onde Deus vive com os homens...

Leituras | Comentário | Avisos | Boletim

sábado, 22 de dezembro de 2012

Levar Deus a «visitar» o mundo...

Ao percorrer o texto do encontro de Maria e Isabel, a nota dominante é a da alegria. Não podia deixar de ser assim, não só pelo facto de serem duas mulheres grávidas, amigas, que se encontram, com tudo o que a gravidez traz de esperança, ternura, amor, alegria… mas porque são aquelas mulheres: Isabel que depois de tanto pedir a Deus o dom de um filho, já em idade avançada, recebe esta graça: ei-la grávida de João, o Precursor, aquele que já no seio da sua mãe exulta de alegria pela presença d’Aquele que vai anunciar já presente no meio dos homens: Jesus, o Filho de Deus, de quem está grávida Maria, que traz em si o fruto da sua disponibilidade para acolher a palavra de Deus, e se tornar a Mãe da Palavra, o Verbo de Deus, o Deus connosco.

Maria e Isabel são nesse momento o lugar de toda a esperança, a passagem a um novo tempo, que João anunciará, e Jesus tornará já presente e actuante no mundo. Maria visita Isabel, mas é o próprio Deus que leva em visita. Deus que percorre, em Maria, os caminhos deste mundo para trazer, a quantos O reconhecem, uma vida salva, uma vida boa, bela e feliz.

O Natal é um tempo de fé, de acolhimento de Jesus, d’Aquele que nos faz experimentar a alegria de tornar a vida um lugar de beleza. É tempo de aprender com Maria a deixar-se habitar pela Palavra, e de a transportar pelo mundo fora para que «este vale de lágrimas» possa encontrar-se com uma nova esperança...

sábado, 15 de dezembro de 2012

A alegria tem um preço: a conversão

O tema da alegria atravessa as leituras bíblicas deste terceiro domingo do Advento: alegria a que é convidada Jerusalém pela presença salvífica de Deus no seu seio (Sofonias); alegria a que são chamados os cristãos de Filipo diante do anúncio que o "Senhor está próximo" (II leitura); alegria inscrita no Evangelho, na boa notícia que João anúncia: “(João) anunciava ao povo a boa nova (euenghelízeto tòn laón)” (Lucas).

A alegria cristã, não é apenas um facto interior e não se identifica com um sentir de humores, mas está ligado a uma relação com o Senhor e tem um preço: a conversão. Converter-se significa operar uma transformação concreta na própria vida. A pergunta “o que devemos fazer?” na boca das multidões, dos publicanos, dos soldados (vv. 10.12.14), indica a diversidade de gestos concretos de conversão solicitados a pessoas que se encontram em diferentes estádios da vida.

Ao mesmo tempo os pedidos que o Batista faz a cada uma das categorias de pessoas podem ser lidas como elementos constitutivos do caminho pessoal de conversão: a partilha (v.11), o não ser pretensioso (v. 13), o não abusar, o não ser violento (v. 14). Com efeito João não indica “coisas para fazer”, mas pede a cada um que permaneça no seu estado dando espaço ao outro, respeitando o outro, acolhendo o outro e impedindo-o, em absoluto, que tenha ou exerça o poder sobre outros.

(…) João não pede gestos radicais como pedirá Jesus, não pede que deixemos tudo e o sigamos mas mostra-nos um grau imprescindível e perene da conversão, um grau muito humano e que não tem necessariamente nada de religioso. Trata-se de assumir a sua própria humanidade e a dos outros, de domesticar os apetites, de assumir os próprios limites e de ter como medida da sua liberdade a liberdade dos outros. Ser ele mesmo consentindo aos outros de serem eles próprios.

A conversão pedida por João Batista, que não se esgota em aspetos exteriores, encontra as suas raízes na relação com Aquele que vem, para purificar e para transformar (v. 17). João, na realidade não é um pregador de moral mas d'Aquele que vem. Neste sentido ele é já um evangelizador (v. 18) porque com a sua pessoa e com as suas palavras ele anuncia o Cristo que vem e, pedindo a conversão, dispõe-se a acolhê-Lo e a conhecer a salvação de Deus. De resto, o Evangelho é um dom exigente, é graça a um preço alto, é amor que nos empenha.

LUCIANO MANICARDI, in: Comunidade de Bose

sábado, 8 de dezembro de 2012

Preparai o caminho do Senhor...

João Baptista é uma das referências essenciais deste tempo de Advento. Quando se trata de nos prepararmos para acolher Jesus que vem, nada como voltar a escutar esta voz do deserto (e o deserto é sempre um lugar significativo da essencialidade e, por isso, do encontro com Deus...). Não se trata de fazer umas «obras de fachada» para parecer bonito, mas de obras profundas, estruturais: endireitar veredas, altear vales, abater montes e colinas... Esta voz profética clama pela renovação estruturante do ser, pela capacidade de reorganizar a vida, pela conversão.

É verdade que a voz profética nem sempre é fácil de escutar... Com facilidade se arranjam rótulos: isso são coisas do passado, agora é toda a gente assim, não podemos ser retrógradas, essas coisas são muito bonitas de dizer mas não se podem viver no contexto actual... e tantas outras frases feitas, gratuitas, e como uma bela desculpa para manter vales e montes, e tortas as vias por onde se caminha na vida. De facto, a conversão não é apenas obra nossa, mas depende de nós a abertura ao Deus que bate à porta para que Ele em nós nos possa renovar interiormente na nossa forma de pensar, de sentir, de agir...

No Ano da Fé, o convite que encontramos é, em primeiro lugar, o convite à conversão: deixar ressoar em nós esta voz, não ter mede de ousar o deserto para que se dê o encontro capaz de nos transformar. Sim, porque só o Amor é capaz de nos fazer mudar, e só entrado na relação de amor com o Amor que vem ao nosso encontro (e a esta relação chamamos fé) nos podemos tornar pela palavra e pela vida, presença profética neste nosso mundo de hoje.

Leituras | Comentário | Boletim | Avisos


sábado, 1 de dezembro de 2012

Vigiai e orai em todo o tempo...

O novo ano começa com um apelo de Jesus à esperança: erguei-vos... levantai a cabeça... tende cuidado convosco... vigiai... orai em todo o tempo... Verbos carregados da força de Deus que, fazendo-se um connosco, não deixa nunca de estar presente pelo Seu Espírito, a dar sentido ao advento que é a nossa vida: uma espera constante da Sua vinda definitiva, quando Ele for tudo em todos. 

No Natal, celebraremos a Sua primeira vinda; no Advento, preparamos-nos para a última. Uma espera activa que se faz de vigilância e oração, de estar atento (vigiar) a nós mesmos para sermos o lugar onde o humano e divino se continuam a encontrar (oração) no projecto comum do Reino.

Leituras | Comentário | Boletim | Avisos

sábado, 24 de novembro de 2012

Que «Rei» é este?...

É quando está subjugado, diante de Pilatos, que Jesus declara a sua realeza: «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».

Esta realeza de Jesus não tem nada a ver com a lógica de realeza a que o mundo está habituado... Jesus, o nosso rei, apresenta-Se aos homens sem qualquer ambição de poder ou de riqueza, sem o apoio dos grupos de pressão que fazem os valores e a moda, sem qualquer compromisso com as multinacionais da exploração e do lucro. Diante dos homens, Ele apresenta-se só, indefeso, prisioneiro, armado apenas com a força do amor e da verdade. Não impõe nada; só propõe aos homens que acolham no seu coração uma lógica de amor, de serviço, de obediência a Deus e aos seus projectos, de dom da vida, de solidariedade com os pobres e marginalizados, de perdão e tolerância. É com estas “armas” que Ele vai combater o egoísmo, a auto-suficiência, a injustiça, a exploração, tudo o que gera sofrimento e morte. É uma lógica desconcertante e incompreensível, à luz dos critérios que o mundo avaliza e enaltece...

Leituras | Comentário | Avisos | Boletim

sábado, 17 de novembro de 2012

A palavra que não passa

O Evangelho sublinha que o anúncio da vinda do Senhor não afasta o crente do hoje, pelo contrário, exige-lhe a capacidade de assumir o presente, a terra onde vive e de amá-la. Uma das palavras mais densas de ternura e de atenção, de Jesus, é o trecho que remata o anúncio dos fenómenos cósmicos que acompanharão a vinda do Filho do Homem: “Aprendei pois a parábola da figueira. Quando já os seus ramos estão tenros e brotam as folhas, sabeis que o verão está próximo." (v. 28). Só, quem realmente sabe observar os ramos da figueira e se apercebe do momento em que brotam os primeiros rebentos pode exprimir-se assim. Só quem ama a terra, esta terra, pode crer na nova terra prometida. Enquanto anuncia o acontecimento escatológico, Jesus pede ao homem que se submeta aos ensinamentos da figueira e assim, de toda a natureza entendida como parábola da história de Deus com o mundo. A fidelidade à terra é a condição para crer e esperar a vinda gloriosa do Senhor.

A vinda é anunciada como certa, mas o seu momento é incerto (v. 32): o crente pode, por isso, assumi-la espiritualmente como uma espera que se pode converter em resistência (isto é, força na adversidade e na tribulação da história: Mc 13,24 e vv. precedentes), em paciência (isto é, capacidade de viver o incompleto do quotidiano), em perseverança (isto é, recusa em fazer a apologia do pessimismo), em fé que acredita mais no invisível, com segurança e firmeza, do que no visível (cf. 2Cor 4,17-18). “Feliz o que permanecer na expectativa...” (Dn 12,12).

O desaparecimento das realidades celestes (cf. Mc 13,24-25) é anunciado como um acontecimento divino, mas o sol, a lua, os astros e as forças celestes eram, no panteão dos antigos romanos (e Marcos escreve aos cristãos de Roma) entes divinos. Aqui não está representado apenas o fim do mundo, mas o fim de um mundo, a queda do mundo dos deuses pagãos, destronados pelo Filho do Homem. Ao afirmar-se que o fim da idolatria se cumprirá com o Reino de Deus, com a vinda do Senhor, insinua-se que a praxis dos cristãos no mundo pode constituir um sinal do reino de Deus graças à vigilância constante destes para que os ídolos não reinem sobre eles. Provavelmente muitos dos destinatários romanos do Evangelho, antes de se converterem, eram adoradores destes ídolos. Anunciando a sua vinda gloriosa, Jesus pede aos cristãos, como gesto profético, a conversão. Esperar o Senhor significa viver em permanente conversão.

Texto de LUCIANO MANICARDI in: Comunidade de Bose

Leituras | Comentário | Avisos | Boletim

sábado, 10 de novembro de 2012

Confiar-se totalmente...

Quanto maior é a  relação (amor) com alguém (e a relação nasce do encontro, conhecimento, diálogo, entrega e acolhimento, compromisso, persistência e fidelidade...), maior é a confiança que nos une. Assim uns com os outros, assim com Deus. «Confiança» é das palavras que melhor traduza o termo «fé»: a fé é a essencialmente a confiança que nasce da relação com Deus, só possível porque acolhemos em primeiro lugar a confiança que Deus tem em nós...

Confiar e confiar-se. É o que Jesus é capaz de perceber no gesto simples de uma viúva que deita na caixa do tesouro do Templo duas pequenas moedas. Para além do som das moedas que caiem no tesouro, Jesus tem o olhar de Deus que vê no mais íntimo do ser daquela mulher: «ela ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuís para viver». Não se trata da quantidade da dádiva monetária, mas da quantidade de confiança que é depositada nesta oferta. Neste gesto podemos perceber a oração da viúva: «tudo o que tenho, a Ti te entrego: sou toda tua; nas Tuas mãos está a minha vida!». Talvez a atravessar um momento dramático, talvez no limite das suas possibilidades, talvez envolvida pela «noite», a confiança em Deus é a sua única esperança. E arrisca lançar-se.

Não sabemos o seu nome, a sua história, o que lhe terá acontecido... Mas essa viúva anónima permanece na história dos exemplos supremos da fé. Sabemos também que Deus, em Jesus Cristo, viu o seu gesto de amor, e que esse olhar é aquele que também nos olha a nós hoje...

Leituras | Comentário | Boletim | Avisos

sábado, 3 de novembro de 2012

Um retorno à Fonte

O “mandamento do amor” reorienta-nos sempre e de novo ao essencial, e faz-nos revisitar a originalidade do sonho de Deus para a humanidade: viver no Amor. Amor a Deus, com todas as energias e dimensões do nosso ser, indissociável do amor ao próximo, com as mesmas energias e dimensões. Um e outro não vivem isolados: cruzam-se e exigem-se mutuamente.

A vida de Jesus é expressão da maturidade no amor que também nos convida a viver: “o seu amor pelo Pai levava-o a retirar-se para o monte para rezar, a erguer os olhos para o céu antes de fazer milagres, mas ao mesmo tempo ia ao encontro dos doentes, dos excluídos, dos pecadores, das multidões perdidas como ovelhas sem pastor. E depois, na cruz, vira-se para seu Pai, mas também para o ladrão crucificado ao seu lado, para Maria e João, para os verdugos que não sabiam o que faziam”… Fica o convite a beber na Fonte: Jesus Cristo, na sua Vida, como na sua Palavra, é o lugar da redescoberta sempre renovada da frescura do amor pleno

sábado, 27 de outubro de 2012

«Mestre, que eu veja»

“Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem”. A citação é do Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago.

A história do Bartimeu )Mc 10, 46-52) é a de um cego que quer ver. E sabe onde encontrar a vista. A vista e a vida. A alegria de saber o caminho a seguir. Apesar dos obstáculos da multidão que o quer calar, não desiste da sua busca do «Filho de David», o Messias esperado, aquele que os profetas anunciaram como o que vem dar vista aos cegos.

E aí está ele, persistente, na sua busca. E Jesus escuta-o. Manda-o chamar. Agora já com o apoio daqueles que são enviados por Jesus: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». Missão grande a daqueles que acolhem o desafio de Jesus para dar luz ao olhar dos homens: encorajar, fazer levantar, recordar que Ele chama e ama, e por isso faz recuperar a Vida.

Por vezes também nós "estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que vendo não vêem"... e precisamos de reconhecer que só Ele é capaz de dar visão nova à vida. Também nós, ao lado de Jesus, podemos assumir esta missão de ser, no mundo, fonte de esperança: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te».

sábado, 20 de outubro de 2012

Quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo

Reflexão no Guião para o Outubro Missionário relativo a este 29º Domingo do Tempo Comum:

Quem é o maior? Que lugar posso assegurar na escala da importância e do reconhecimento, diante dos outros e do próprio Deus? Tudo serve para hierarquizar as pessoas e os grupos, muitas vezes – teremos que o admitir, com humildade –, também na Igreja. O nome, a riqueza, a educação, a notabilidade, os cargos, o vestuário, a casa. Tudo pode servir para recordar ao outro que estou à sua frente, que sou mais do que ele, que a razão e a força estão do meu lado. Até a caridade e a piedade podem servir para assegurar um bom lugar diante de Deus – “pago o dízimo de tudo”; “dou-te graças por não ser como aquele pecador”.

Desde que fomos dados à luz, há um medo que nos assalta, o de não sermos suficientemente reconhecidos e amados. Desde Adão e Eva, a voz da serpente insinua no coração humano a dúvida de que Deus não cuida suficientemente de nós. Então, quando a confiança dá o lugar ao medo, o outro torna-se rival, aquele que me pode roubar o lugar e limitar o espaço. Bastaria recordar a história dos irmãos Caim e Abel. Nasce o desejo de afirmação. Montam-se estratégias de protecção contra todos os que podem usurpar o que considero vital para mim, umas mais rudes, outras mais refinadas. Do medo de não ser (filho) único e de não ser reconhecido, nascem estratégias de defesa e de ataque, para ficar à frente, para não ficar para trás. Tantas vezes, à custa dos outros. Devo ser um herói, a qualquer preço. Por isso, incho-me quando me consigo afirmar e deprimo-me quando me sinto derrotado.

“Convosco, não deverá ser assim”. “Reparem no Filho do Homem que não veio para ser servido, mas para dar a vida por todos”, inimigos incluídos. Para que cada um tenha vida, Ele oferece a sua. Ele é o Filho, aquele que conhece e se reconhece no afecto do Pai, de quem tudo recebe. Não tem que assegurar ou conquistar o que quer que seja, porque, como Filho, já tem tudo. Por isso, pode oferecer-se. Sendo o Unigénito, torna-se o Primogénito, o primeiro de muitos irmãos. Partilha, com cada homem e cada mulher, a filiação divina, estando disposto a assumir a sua condição de carne e de sangue e a atravessar a prova derradeira da morte – o medo de não ser suficientemente amado. Obedecendo até à morte de cruz, pôs a sua confiança total no Pai e, assim, nos assegurou que, no afecto do Pai, há muitas moradas, uma morada única para cada filho. Foi glorificado porque se fez obediente. É o primeiro porque se faz o último, compadecido das fraquezas de todos.

Na Europa ou em África, na América ou na Ásia, não há outro caminho para estar à direita ou à esquerda no Reino dos Céus se não o da entrega de si. É este o cálice que celebra a comunhão com o Senhor. Não há atalho alternativo para vencer a morte e assegurar a vida. Da comparação mortífera com o outro que leva a proteger o próprio lugar contra ele, só nasce ressentimento e morte. Mas, pela entrega de si pela vida do outro, aí, já se saboreia a vida plena, aquela que se gera na confiança de que somos filhos em quem o Pai põe todo o seu afecto. No amor não há temor. Nem comparação ou desejo de ficar à direita ou à esquerda, porque o Pai garante a cada um o melhor lugar, aquele que se cede ao irmão. Nesta forma de vida estará a força do enviado.

Leituras | Comentário | Avisos | Boletim

sábado, 13 de outubro de 2012

Um olhar de simpatia...

O homem que se aproxima de Jesus procura «alcançar a vida eterna»... mas falta-lhe uma visão certa desta «Vida». Fica-se pelo “fazer”... Jesus convida-o a mudar de lógica: não se trata de vida eterna a ganhar, mas de seguir Jesus. Como se a vida eterna fosse estar com Jesus! Eis a grande transformação que Jesus vem provocar. Não se trata primeiro de fazer esforços para obedecer a mandamentos; trata-se primeiro de entrar numa relação de amor com Jesus. Mais profundamente ainda, trata-se primeiro de descobrir que Jesus, Ele em primeiro lugar, nos ama.

É neste contexto que se compreende a referência de Marcos: “Jesus olhou para ele com simpatia (amor)”. É este olhar que transforma tudo. Jesus quer fazer compreender ao homem rico que lhe falta o essencial: deixar-se amar em primeiro lugar, descobrir que todos os seus bens materiais nunca poderão preencher esta necessidade vital para todo o homem de ser amado. As riquezas do homem impediram-no de ler tudo isto no olhar de Jesus. O homem partiu. Mas Jesus não lhe retirou o seu olhar de amor.. 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Deixai vir a Mim as crianças...


No dia em que começam os encontros da catequese na paróquia, o texto do Evangelho coloca-nos perante um quadro curioso: os discípulos querem afastar as crianças que estão a ser levadas a Jesus, e este que os repreende: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis...»

Perante este quadro, uma primeira questão que todos podemos colocar é precisamente essa: será que estamos a estorvar as crianças, os adolescentes, os jovens de chegar até Jesus?

Mas se o primeiro passo é, pelo menos, não estorvar, os educadores são convidados a assumir uma atitude positiva: levar até Jesus. A educação para a fé é, em primeiro lugar, o proporcionar do espaço de encontro com Jesus, facilitar este contacto para que possa realizar-se aquela que é a missão da catequese e de toda a comunicação da fé: pôr não só em contacto, mas em comunhão e intimidade com a pessoa de Jesus Cristo. Pais, catequistas, professores, educadores, toda a comunidade é convidada a tornar-se facilitadora de encontro.

O Ano da Fé é um desafio ao encontro: acolher Aquele que vem ao nosso encontro para nos dar vida, viver a fé como uma experiência de um amor recebido, e comunicá-la como uma experiência de graça, beleza e alegria.

Leituras | Comentário | Boletim paroquial | Avisos

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Quem não é contra nós...

O abraço dado a uma criança, depois das palavras sobre o fazer-se servo de todos como forma de viver na comunidade do Reino, ainda perdura quando um dos discípulos explica a Jesus a sua acção de defesa do "grupo": «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco».

À tentação de erguer barreiras, Jesus reponde com a necessidade de criar laços. Os fanatismos de quem se considera detentor de toda a verdade, de quem se julga possuidor de toda a sabedoria sobre Deus, não condizem com a missão universal de Jesus que quer congregar a todos na dinâmica do amor divino: o nome de Jesus não pode nunca ser usado como fonte de separação! Tudo quanto é contrário ao amor é escândalo, e Jesus previne: é necessário a atenção constante para que toda a vida do discípulo seja para a construção do Reino: tudo o resto deve arder na Geena, como lixo queimado, para que a vida possa apresentar-se purificada diante de Deus e dos homens.

sábado, 22 de setembro de 2012

Abraçar a humildade e simplicidade

O gesto de Jesus no texto do Evangelho deste Domingo é simbólico de toda uma opção de vida e de uma proposta que Ele faz para os seus discípulos. Começa por falar do que o espera: o sofrimento e a morte, e a ressurreição. Com a serenidade de quem se sabe no caminho da entrega de si mesmo ao Pai para que a humanidade possa encontrar o caminho da plena realização de si mesma, Jesus aceita passar pela cruz. Para os discípulos é ainda difícil compreender que a vitória está na capacidade de “perder a vida”, e falam de quem será mais importante… É neste contexto que Jesus abraça uma criança que mete ao centro da comunidade: ela é símbolo dos mais frágeis e indefesos.

A grandeza dos discípulos, como de Jesus, está na capacidade de se fazer humilde e simples, de dar a vida: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». O discípulo de Jesus é grande quando abraça a humildade e simplicidade, quando sabe valorizar os dons recebidos para os pôr ao serviço dos outros, quando ama e serve os mais pequenos e encontra neles o rosto de Jesus

sábado, 15 de setembro de 2012

E vós, quem dizeis que Eu sou?

Ao iniciar o ano pastoral, celebramos na paróquia o Jubileu do Santíssimo: no Domingo mais próximo da festa litúrgica de Nossa Senhora das Dores, padroeira da Paróquia da Boa Vista (que ocorre a 15 de Setembro), um tempo para agradecer o dom de poder ter neste lugar o sacrário com a presença constante de Jesus no Pão consagrado na Eucaristia. Neste dia, os elementos do novo Conselho Pastoral Paroquial vão também assumir o seu compromisso diante de Deus e da Comunidade Cristã. A todo este contexto, acrescenta-se a proximidade da abertura do Ano da Fé. E o assumir, na Diocese de Leiria-Fátima, deste desafio lançado pelo Santo Padre, com o tema «O Tesouro da Fé, Dom para todos».

E é neste ambiente que o texto do evangelho nos põe diante da pergunta de Jesus: «e vós, quem dizeis que Eu sou?» Jesus põe-nos diante da pergunta essencial: Quem é Ele para nós? Dependendo da resposta, assim será a nossa relação com Ele. O desafio da fé passa por este olhar que Pedro conseguiu ter: um olhar profundo que vê para além das aparências e reconhece em Jesus Cristo o verdadeiro Deus, o Messias. Acolher Jesus como o nosso salvador implica também a descoberta da sua missão de nos revelar a nossa própria identidade de pessoas humanas: seguir Jesus  é o caminho da nossa própria felicidade. Um caminho que é feito de confiança em Deus e entrega aos homens.

As leituras deste Domingo podem ser vistas AQUI, e um comentário às leituras AQUI.
AQUI está disponível o boletim paroquial para esta semana, e AQUI os avisos paroquiais.

domingo, 26 de agosto de 2012

Liturgia e vida paroquial

26 de Agosto de 2012, 21º Domingo do Tempo Comum 
Leituras | Comentários | Avisos | Boletim paroquial

2 de Setembro de 2012, 22º Domingo do Tempo Comum 
Leituras | Comentários | Avisos | Boletim paroquial 

9 de Setembro de 2012, 23º Domingo do Tempo Comum 
Leituras | Comentários | Avisos | Boletim paroquial



sábado, 18 de agosto de 2012

Comer e beber Jesus...

Jesus não pára de repetir que os seus discípulos devem comer a sua carne e beber o seu sangue! A linguagem é chocante para a nossa sensibilidade e forma de pensar actual... Sabemos, é certo, que São João escreve depois da ressurreição de Jesus, e que as palavras de Jesus só se podem aceitar e compreender a essa luz.

Uma das palavras-chave do discurso de Jesus é “morar”. Morar com alguém é entrar na sua intimidade, para ficar juntos. É isso que Deus quer: “estar com” os homens, ser o “Emanuel”, para que nós estejamos também com Ele. Não podemos aceder ao sentido profundo das palavras de Jesus sobre a sua carne a comer e o seu sangue a beber se não nos colocarmos no registo do amor que exige a presença, o “estar com” das pessoas que se amam.

No amor é tudo ou nada... é tal o amor de Deus por nós, manifestado em Jesus, que Ele quer dar-Se na totalidade do seu ser, e quer que esse dom dure para sempre. Ao escolher o sinal do banquete eucarístico para colocar em nós a sua presença de Ressuscitado, Jesus quer enraizar-Se em nós e alimentar com o gérmen da Vida eterna: “quem comer deste pão viverá eternamente”.

Participar na Eucaristia, comungar do corpo e do sangue de Jesus ressuscitado, é oferecer-Lhe o nosso “espaço humano” muito concreto, toda a nossa pessoa para que Ele venha habitar em nós

As leituras deste Domingo podem ser lidas AQUI, e um comentário às leituras AQUI.
AQUI encontra o boletim paroquial desta semana, e AQUI os avisos paroquiais.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Olhar para além do visível

Enquanto multiplicou os pães e deu de comer à multidão, muitos se entusiasmaram com Jesus. Mas Ele não quer apenas entusiasmos de momento. Propõe uma adesão que compromete toda a vida e a vida toda: é essa fé que está em jogo nesta afirmação que condensa a mensagem do texto do evangelho deste Domingo: «Eu sou o pão da vida que desceu do Céu»

Os conterrâneos de Jesus começam por ter a dificuldade de descobrir n’Ele o que desceu do Céu: conhecem o pai, a mãe os familiares… Jesus desafia-os a olhar para além do visível, a reconhecer o mistério da sua vida: Ele é o que vem do Pai para dar não apenas um alimento físico, mas para ser Ele mesmo um alimento de Vida eterna. A fé é esta adesão a Jesus Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Adesão que é relação de confiança e, por isso, de seguimento de uma Palavra que indica o caminho a seguir. «Comer» a «carne» de Jesus é assumir na própria vida a vida d’Ele, é como diz São Paulo (2ª leitura: Ef 4,30-5,2) ser «imitadores de Deus», é caminhar «na caridade, a exemplo de Cristo, que nos amou e Se entregou por nós, oferecendo-Se como vítima agradável a Deus»

As leituras deste Domingo podem ser  vistas AQUI, e um comentário às leituras AQUI.
AQUI está disponível o boletim paroquial desta semana, e AQUI o avisos paroquiais.